terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Complexo de Alice

Alice no País das Maravilhas, de Lewis Caroll, não é um livro infantil. É uma análise profunda do comportamento do ser-humano, mas manteremos o foco no homem, que será nosso objeto de análise nesse blog.
Desde o começo da narrativa, se faz presente o mito de Chronos, do tempo, representado pelo coelho branco e idoso que está sempre com pressa, correndo. E uma Alice que passa a segui-lo sem nunca alcançá-lo.

Um dia o homem olha para sua vida: Trabalho, filhos, esposa, contas para pagar, horários, responsabilidades, etc e vê que em nada combina com a vida que desejou ter. Ele queria um tempo para ele mesmo, para a satisfação de seus desejos. E o maior deles é “Ser jovem para sempre”.


Com a aparição do gato de Cheshire, que não só tem o hábito de aparecer e desaparecer subitamente, como muitas vezes deixa para trás o seu sorriso marcante, podemos fazer uma relação direta com um dos alter egos de Alice.

 Ele a instiga a tomar decisões diferentes das que ela tomaria normalmente, criando dúvidas em sua cabeça e levando-a a explorar novas situações.
Representa perfeitamente o momento em que o homem passa a questionar sua vida e suas escolhas. É quando ele sente que sua vida está passando e ele não encontrou ainda “seu lugar ao sol”, seja profissionalmente ou em suas escolhas pessoais.
É quando ele se sente frustrado com o trabalho, com a esposa e com a falta de “emoções” em sua vida. Alguns se sentem compelidos a mudar de emprego ou até mesmo de área, outros desejam a “liberdade” para seus hobbies solitários ou com amigos.
Mas a esmagadora maioria dos homens acredita que as aventuras sexuais o tornarão mais jovem, mais poderoso, mais interessante… Deposita no outro tudo o que não consegue encontrar em si mesmo.

Tem também a analogia do “chá das cinco”, quem o bebe fica extremamente empolgado, rindo ininterruptamente e não fala ou faz coisa com coisa.

É quando o homem sai por aí, bebendo com os amigos, dizendo que é o máximo, que é o cara, que está pegando geral. Que diz para as mulheres que ganha rios de dinheiro, que é bem resolvido e etc. Engana a si mesmo, achando que está enganando aos outros.
Alice entra então em uma floresta onde nada, inclusive ela, tem nome algum.
O homem desenvolve um personagem fora de casa.  É o bom de cama, paga os melhores motéis, jantares. Faz de tudo para impressionar e de fato acredita em seu “mundo maravilhoso”.
Vemos também o senso de justiça de Carlos Magno presente no Rei de Copas.
Quando o homem passa a achar melhor a “vida lá fora” do que dentro de casa, passa a se sentir injustiçado, vitimizado, desejoso de livrar-se daquela que passa a ser a “Rainha de Copas”, mas se sente preso às formalidades (sociedade, filhos, família).
A loucura exacerbada da Rainha de Copas, com sua autoridade esmagadora, descobrindo que as rosas foram pintadas, que existe uma intrusa no palácio e cuja ira e  força empregadas na famosa frase “Cortem-lhe a cabeça!”, a tornam a vilã da história.

Um dia a esposa descobre a existência da amante. É óbvio que não dá para manter a calma neste momento. Tem frase mais perfeita do que mandar cortar a cabeça do homem? Seja ela qual das duas for!
E finalizando a analogia o homem sai de casa, afinal a mulher enlouqueceu, o colocou contra tudo e contra todos e ele, coitadinho, se vê obrigado a recomeçar a vida…
O que eles se esquecem, é que no final da história a Alice acorda… e assim como eles se repetem em suas atitudes, as mulheres também.  Nenhuma delas quer um homem que banque o adolescente para o resto da vida.
Alguns voltam para casa, arrependidos e desiludidos (depende da mulher aceita-los ou não) e outros passam a repetir-se num ciclo sem fim e sem preenchimento emocional nenhum…



Texto tirado deste endereço: http://complexodealice.wordpress.com/explicando-o-complexo-de-alice/

Nenhum comentário:

Postar um comentário